Com a banda Pitty em férias, Pitty e Martin começaram a se encontrar com a finalidade de conversar, comer ou beber alguma coisa... Nesses encontros Pitty brincava no piano e Martin com o violão, daí surgiu o projeto que hoje está estruturado e conhecido como Agridoce. Músicas que escutadas sem atenção, passam como simples canções de amor, mas basta um pouco de concentração pra perceber que as letras tocam em assuntos muito complicados de lidar, na vida.
As primeiras músicas foram gravadas na casa de Pitty mesmo, a primeira apresentada pelo duo foi "dançando", em junho de 2010, sem explicar nada, Pitty e Martin simplesmente abriram a webcam e mostraram a novidade pela Internet. Em entrevistas, sempre explicam que a banda Pitty não acabará, pelo contrário: com esse projeto os dois só ganham mais experiência e intimidade com a música (e quem observa pode confirmar).
Como é um projeto íntimo, diferente e até mesmo anacrônico, só em maio de 2011 a dupla resolveu se apresentar ao público, na noite Fora do Eixo (StudioSP), em São Paulo. Como tudo no projeto, foi um show totalmente experimental. No mesmo ano eles foram para uma casa na Serra da Cantareira com os já "colegas de trabalho" Rafael Ramos e Jorge Guerreiro. Passaram 22 dias isolados do mundo e dedicando vozes, corpos e almas ao projeto.
Dia de 7 Novembro eles lançaram o álbum "Agridoce" (lançado pelo selo independente Vigilante) que se destaca bastante pelos barulhos mais diferentes possíveis, de copos, mesa, piscina etc, começando com 10 segundos de pássaros cantando e ruídos não identificados. Isso é encontrado em vários momentos ao longo das faixas. A música que abre o disco é - talvez - a mais sarcástica da trilha Embrace The Devil, e fala no geral sobre mentiras. Logo após começa a primeira música de trabalho, Dançando, tratando sobre ceticismo, uma forma diferente de pensar e a alegria de descobrir uma felicidade escondida em si mesmo. O final da música é cortado por quase todas as rádios que a tocam, onde é dito algo dificil de ser decifrado, por ter sido gravado ao contrário, seguida de Say, totalmente em inglês, cheia de côros e delays (também muito presente no album todo), foi escrita pelo diretor Ricardo Spencer, parecendo mais um roteiro de alguém que já cometeu um crime e acredita ter esquecido. A já conhecida Romeu, inspiradas principalmente nas baladas de John Lennon, foi a que mais se transformou da versão "demo" para a de estúdio. A vóz se multiplica, o violão e o piano ficam mais claros. Abordando vários assuntos, um fica bem marcado nesta letra: a difícil tarefa de conseguir se entregar à um amor, assim como nas histórias de Shakespeare e o motivo está justamente na próxima faixa: 20 Passos, letra de Martin marcada bastante pela percursão. É daquelas que você vai se emocionando com a melodia, se entregando à letra e quando chega no refrão precisa explodir. Ne Parle Pas começa com um contrate e para muitos, a música mais bonita e engraçada, já que Pitty, no final, entrega que não sabe falar francês, mas está ali, fazendo biquinho e tudo. Já em Upside Down, composta em parceria, Pitty e Martin parecem se preparar para um (des) encontro, intercalando as vozes e cantando o refrão - em inglês - juntos, falando da dificuldade de não se sentir pertencente a um local onde vive e como se alguns trovões caíssem, é apresentado Epílogos, abordando um tema muito dificil, que muitos preferem não pensar: a morte. A música é como se fosse uma carta de quem está prestes a perder a vida contra a vontade, relembrando toda a trajetória e se desesperando por não ter feito nada que queria (ou deveria) ter feito. Rainy tabém foi gravada em inglês e fala sobre a dualidade da vida, que muitas vezes as tragédias tentam ser esquecidas, assim como os melhores momentos. No meio da apresentação da dupla em São Paulo, no Mix Ao Vivo, Martin entrega que 130 Anos é sua música preferida, foi composta no meio das gravações. Uma pessoa que não esperava chegar a essa idade e se pega aflito. A frase "sei que é alto mais eu vou pular" pode tanto recorrer ao suicídio quanto à vontade se jogar em mais uma aventura, o refrão fazendo referência à sociedade que certamente julgará quando esse alguém - tentar - voar (será homem ou bicho?). Segue o clima do começo de uma longa historia. A prefirida de muitos é a faixa seguinte: O Porto, falando do anseio pelo novo, a marcha de quase cinco minutos é muito bem aproveitada e a cansão é pra cima: daquelas que você ouve e sai se sentindo pronto para a guerra e fecham o disco com uma versão linda da consagrada Please, Please, Please, Let Me Get What I Want, do The Smiths.